Praça do Relógio

Para lembrar que o tempo passa

 

A troca de monumentos

 

“Marcador do tempo” e de acontecimentos em Belém, o Relógio, no centro da Praça Siqueira Campos, em frente à Doca do Ver-o-Peso, é símbolo da passagem de épocas, marcadas por crises econômicas e transformações políticas. Foi erguido na virada das décadas de 1920 e 1930, no local onde existiria o Palácio da Bolsa de Comércio, cuja construção chegou a ser iniciada mas não foi concluída, devido à crise da borracha, principal produto econômico da região no século XIX até o início do século XX, e cujo declínio representou um forte abalo na até então rica e próspera economia da região. No lugar do que seria o marco do vigor econômico, e que ficou abandonado por anos, foi construída a Praça com relógio ao centro, que passou então a ser espaço de ampla circulação social e palco de manifestações políticas, tornando-se um ícone da cidade.
 

 

Praça Siqueira Campos, a Praça do Relógio

 

Segundo inventário do Ministério da Cultura de 2010, a Praça Siqueira Campos, conhecida popularmente como Praça do Relógio, faz parte do Centro Histórico de Belém, sendo tombada por Lei federal de 09 de novembro de 1977 e por Lei municipal de 30 de março de 1990. De acordo com mapas da Prefeitura de Belém, documentados em 2000, a área total da praça onde está o Relógio é de 2.727,45 m², sendo 1.246,78 m² de área pavimentada e 1.480,67 m² de área verde.
 
O Relógio

 

De fabricação inglesa, erguido no Centro Histórico de Belém, à Praça Siqueira Campos, o Relógio foi inaugurado às 20 horas do dia 5 de outubro de 1931, durante a administração do interventor federal no Pará, Magalhães Barata. Possui 12 metros de altura e quando da inauguração e nos anos posteriores, era provido de iluminação noturna e sirene, acionada nos marcos da rotina da cidade, como ao meio-dia e às seis horas da tarde. O memorialista Clovis Meira afirma que ao contrário do que informou “presidente da Província do Pará” de 1929-1930, Eurico de Freitas Valle, em seu relatório onde informa sobre a encomenda do monumento, a empresa fornecedora do Relógio não foi a Walters MacFarlaine e & Cia e, sim, a J. W. Benson Ltda – Ludgate Will – London, 1930 Clock-manhers to the Admiralty. Além de Valle, também participou da concepção do projeto do relógio o intendente de Belém, Senador Antonio Facióla.

 

Tempo-espaço da preservação do patrimônio

 

Na segunda metade do século XX e início do século XXI, a popularmente conhecida como “Praça do Relógio” passou por algumas reformas. Uma delas, nos anos 1990, foi inserida dentro do projeto da Prefeitura de Belém de "revalorização cromática" dos monumentos do centro histórico. Outra reduziu o quadrilátero original da praça. Quanto ao funcionamento do relógio, por várias vezes foi interrompido, algumas por anos, como está atualmente (dados atualizados em 2017), por falta de manutenção. O Relógio parado parece estancar o tempo em uma cidade que clama por espaços de patrimônio preservados.

 

 

Texto: Carmen Silva e Ana Cláudia Melo

 

 

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